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As Jornadas de Investigação em Escultura do grupo de escultura do CIEBA (Centro de Investigação e estudos em Belas Artes) da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, procuram explorar através de um debate alargado à comunidade científica as questões, inquietações e estímulos que enquanto grupo nos definem e nos vão fazendo mover. Enquanto comunidade científica estamos interessados em explorar os modos como a escultura se constitui ontologicamente no presente, as diferentes heranças históricas que se perderam, que estão em crise ou que foram plenamente assimiladas, a futuridade enquanto imaginação do futuro no passado e em contraponto a construção do futuro no imaginário do presente. Nesta fluidez e permeabilidade de tempos, espaços e acções que fazem a multiplicidade de esculturas (actualizadas e imaginadas) queremos observar, debater e estimular as repercussões que estas múltiplas constituições têm não só nas artes, mas também fora do âmbito artístico.

Com o século XX, particularmente a partir da segunda metade, surgem uma pluralidade de práticas escultóricas que levaram a um questionamento sobre os limites da escultura enquanto categoria ou disciplina autodeterminada. No entanto, este questionamento e debate produziram também dos períodos mais férteis de discussão e crítica neste campo artístico, traduzindo-se em momentos de transformação, expansão e inovação. As práticas escultóricas focaram-se nos limites que caracterizavam a escultura e transgrediram-nos colocando novas questões —como as relacionadas com o espaço público e a cidade ou a interacção com disciplinas como a sociologia, a antropologia, a arquitectura e a ecologia— incorporam novos conceitos —como o digital, a tecnologia, a performance e a paisagem— e transformaram outros —como por exemplo o de sítio, lugar e monumento. A escultura abriu-se, ou abriu interstícios, potenciando novas práticas artísticas e tornou-se porosa, mas ilimitada. Contudo, este importante e necessário debate foi-se diluindo, levando a uma estagnação tanto na crítica e reflexão teórica como na exploração de novas práticas escultóricas. Perguntamo-nos assim, de que modo pode a investigação em escultura estimular estas dimensões que constroem o imaginário escultórico e consequentemente a escultura?

Participando no imaginário escultórico do seu tempo, O poeta Francês Charles Baudelaire escreveu em Pourquoi la Sculpture est Ennuyeuse (1846) que a escultura é uma prática artística desinteressante porque demasiado próxima da natureza. Esta condição tornaria a escultura, por um lado, mais facilmente acessível do que por exemplo a pintura (também mais primitiva do que a pintura), e por outro, algo cheio de ambiguidade, uma vez que perante uma escultura não nos limitamos a um único ponto de vista e, como tal, esta está aberta a várias interpretações. Se para Baudelaire esta aproximação à natureza —que coloca a escultura num espaço de tensão entre natural, artificial e cultural— tal como a multiplicidade de perspectivas da escultura —que a coloca num espaço de tensão entre imaginação, realidades(s) e representação— é encarado como negativo, hoje, podemos adoptar outra posição e ver como positivas estas tensões e ambiguidades.

Tomando a escultura como ocupando um espaço informe e ambíguo, potenciando diferentes perspectivas, outros modos de ver e existir, nestas jornadas, não procuramos um debate sobre uma definição universal e global de escultura, impondo-lhe limites. Pretendemos ser geradores de discussão e dar espaço para que de uma forma especulativa, criativa e inovadora novas formas de entender a escultura possam ser debatidas; potenciando ideias, práticas e metodologias. Assumindo uma aproximação transdisciplinar à investigação, enquanto acto de integração e interacção de diferentes tipos de saber e conhecimento, abrimos as jornadas à participação de todas as áreas do conhecimento que considerem pertinente participar deste debate, atendendo à transversalidade de problemáticas que as práticas escultóricas e a escultura abordam. É neste sentido de transdiciplinaridade que queremos abrir também estas jornadas a participações que não unicamente do foro teórico, sendo que aceitamos propostas de intervenção artística durante as jornadas —porquanto parte do processo de investigação— e estamos abertos a sugestões que joguem com a ambiguidade da separação e oposição entre teoria e prática.

Para estas primeiras jornadas de investigação em escultura não pretendemos indicar problemáticas, mas sugerimos como elementos de intervenção os seguintes conceitos: interstício, poroso, permeável, fluído, informe, ilimitado e ambíguo. Em linha com os objectivos do grupo de escultura, acima apresentados, queremos que estes conceitos sejam observados de um modo lato e não restritos à prática escultórica, tal como não sendo limitativos das submissões a esta chamada de trabalhos.

Para informações sobre o processo de submissão ver a página Submissão

Coordenação Científica > Dra. Rita Cachão

Coordenação Executiva > Dra. Ana Mena

Uma lista de Keynote Speakers será apresentada após a aceitação de trabalhos

The International Seminar of Research in Sculpture by the Sculpture Research Group situated in CIEBA (Fine-Arts Research Centre), at the Faculty of Fine-Arts of the University of Lisbon seeks to explore, with the broader scientific community, the issues, concerns and motivations that as a group define and keep us moving. As a research group we’re interested in exploring the ways by which sculpture is constituted ontologically in the present; the multiple historical legacies that were lost, that are in crisis or that were fully assimilated; futurity as an imagination of the future in the past and its counterpart i.e. the construction of the future into the imaginary of the present. In this fluidity and permeability of times, spaces and actions that perform the multiplicity of Sculpture(s) (actual and imagined) we want to observe, debate and stimulate the repercussions that these multiple formations have not only in art, but also outside the artistic realm.

During the 20th century, particularly from midcentury onwards, arose a plurality of sculptural practices that led to an inquiry on sculpture’s limits as a self-determined category or discipline. However, this inquiry and debate also produced some of the most fertile periods of discussion and criticism in this artistic field, translating into moments of transformation, expansion and innovation. Sculptural practices focused on the limits that characterized sculpture and transgressed them by posing new questions ­—such as those related to public space and the city or the interaction with disciplines such as sociology, anthropology, architecture and ecology— incorporating new concepts  —such as digital, technology, performance and landscape­— while transforming others —site, place and monument for instance. Sculpture opened up, created interstices, potentiating new artistic practices and becoming porous yet unlimited in the process. However, this important and necessary debate has faded, leading to stagnation in critical and theoretical reflection as well as in the exploration of new sculptural practices. Thus, we ask ourselves, how can research in sculpture stimulate these dimensions that build the sculptural imaginary and, consequently, sculpture?

Taking part in the sculptural imaginary of his time, the French poet Charles Baudelaire wrote on Why Sculpture is Boring (1846), that sculpture is an uninteresting artistic practice because it’s too close to nature. This condition would make sculpture, on the one hand, more easily accessible than for example painting (also more primitive), and on the other hand, something extremely ambiguous, since when standing before a sculpture the viewer is not limited to a single viewpoint and, as such, a sculpture is always open to various interpretations. If for Baudelaire this approximation to nature —which places sculpture in a space of tension between the natural, artificial and cultural— as well as sculpture’s multiplicity of perspectives —which places it in a space of tension between imagination, reality(ies) and representation­­— was seen as negative, today we can adopt another position and see these tensions and ambiguities as positive.

Taking sculpture as occupying a shapeless and ambiguous space, enhancing different perspectives, and other ways of seeing, we are therefore not seeking a debate on a universal and global definition of sculpture that would limit it. Rather, we intend to be generators of discussion and create space for debating speculative, creative and innovative ways of understanding sculpture; enhancing ideas, practices and methodologies. Assuming a transdisciplinary approach to research, as an act of integration and interaction of different types of knowledges, we open the seminar to participations from all areas of knowledge interested in taking part in this debate, taking into account the transversal problematics that sculptural practices and sculpture address. In this transdisciplinary sense we also open this seminar to interventions that are not solely theoretical, and so we welcome proposals of artistic interventions —inasmuch as they are part of the research process— and we are open to suggestions that play with the ambiguity of separation and opposition between theory and practice.

For this first seminar of research in sculpture we do not intend to outline areas of inquiry, but we suggest the following concepts as elements of intervention: interstitial, porous, permeable, fluid, shapeless, unlimited and ambiguous. In line with the objectives of the sculpture group presented above, we would like these concepts to be observed in a broad way and not restricted to sculptural practice.

For information on the submission process check the Submission page

Scientific Coordination > Dr. Rita Cachão

Executive Coordination > Dr. Ana Mena

A List of Keynote Speakers will be published upon the acceptance of works.